Roberto Atillio Lima Santin

Roberto Atillio Lima Santin

Nasceu na cidade de Bebedouro no interior de São Paulo em 1938. Cursou Medicina no Campus de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo formando-se em 1965. No ano seguinte, iniciou no Pavilhão Fernandinho da Santa Casa de São Paulo sua formação como Ortopedista, e logo mostrou grande interesse pela cirurgia ortopédica, em especial pela cirurgia do pé. Completou a especialidade em 1969. Nessa ocasião, assumiu a chefia do Grupo de Cirurgia do Pé da Santa Casa de São Paulo, função que exerceu durante três décadas. Cirurgião talentoso, e possuidor de inquietude científica, praticava a Ortopedia plenamente. No ano de 1985, defendeu sua tese obtendo o título de Doutorado pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. A tese discorreu sobre O Tratamento Cirúrgico das Fraturas Complexas do Acetábulo, técnica em que foi precursor no Brasil em conjunto com o amigo Élio Consentino. Esses procedimentos não eram praticados no Brasil, em especial o tratamento das fraturas que envolviam a redução da cavidade acetabular abordando-a por mais do que uma via cirúrgica.

A curiosidade científica volta a motivar a inquietude do cirurgião Roberto Santin que, com um grupo colegas estudam as possibilidades para aplicação do método de Ilizarov a partir de 1986. Esse grupo constitui o embrião da reconstrução óssea no Brasil sendo formado por Walter Targa, Renato Slonka, Marcelo Mercadante, José Carlos Bongiovanni, Roberto Guarniero, Roberto Catena entre outros. A divulgação dos primeiros procedimentos com a técnica determinou intensa reação na comunidade ortopédica brasileira, que não tinha tido, como todo o hemisfério ocidental, acesso às possibilidades da técnica soviética, até então desconhecida. Na situação de “decano” entre os entusiastas da técnica, usa de suas habilidades características: a gentileza, a maneira polida no trato e capacidade infinita de ouvir sempre atentamente ao outro. Pacientemente, foi possível desfazer as arrestas e mal entendidos que surgiram como reação ao novo método ainda desconhecido. O esforço coletivo por ele capitaneado resultou na união dos diversos departamentos e serviços das Escolas de Medicina em um Comitê na Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia. Condizente com sua postura no decorrer da criação ASAMI – Fixadores Externos e fez questão de não ser o primeiro Presidente.

95 Biografia

Como Professor Adjunto da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo orientou diversos mestrados e doutorados. Como orientador na vida acadêmica, produziu grande quantidade de trabalhos científicos e capítulos de livros. O seu currículo mostra que dedicava especial atenção à divulgação do conhecimento por meio do contato pessoal, cursos, jornadas, eventos regionais e congressos. A divulgação do conhecimento na época e em nosso meio, era feita predominantemente presencial pois as publicações impressas eram limitadas e custosas. A atividade docente exerceu predominantemente na faculdade em que se formou, a Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, no Departamento de Ortopedia e Traumatologia ocupando o cargo de professor adjunto. Na residência médica da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo foi chefe de Clínica Adjunto por mais de quarenta anos. Foi ainda o coordenador do Curso de Pós-Graduação da Universidade Metropolitana de Santos, e professor titular do Departamento de Ortopedia e Traumatologia da Faculdade de Medicina de Jundiaí.

O professor Santin teve intensa participação nas atividades associativas: Presidiu a Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT), a Associação Paulista de Ortopedia e Traumatologia (SBOT-SP) – Departamento da Associação Paulista de Medicina (APM), a Sociedade Brasileira do Trauma Ortopédico e a Sociedade Brasileira de Alongamento e Reconstrução Óssea (ASAMI). Foi membro das Sociedade Brasileira de Medicina e Cirurgia do Pé, da Sociedade Latino-americana de Ortopedia e Traumatologia, da Sociedade Venezuelana de Cirurgia Ortopédica e Traumatologia e da American Academy of Orthopaedic Surgeons.

A ampla e duradoura permanência na atividade profissional liberal, fez com que fosse conduzido por seus pares ao cargo – que ocupou por anos – de diretor clínico do Hospital Alemão Oswaldo Cruz em São Paulo.

Foi casado por duas vezes, a primeira com Maria Aparecida Pessoa Santin em abril de 1967, com quem teve os filhos Fernando, Roberta, Renata e Fulvio. Viúvo precocemente, casou-se pela segunda vez com Regina Maria Pereira Santin tendo os filhos Lorena e Leonardo. Ao falecer em 13 de junho de 2020 tinha dez netos. Abria a porta de sua casa fosse para orientar a apresentação de trabalhos científicos, fosse para ajudar na busca em sua biblioteca por soluções para os casos mais complexos. Generoso, estimulava-nos a andar com as próprias pernas; estava por perto o suficiente para participar, sem sufocar. Dividia conosco, prazerosamente, a alegria do convívio com a numerosa família. Nas viagens, sempre animado, sabia aproveitar a vida. Seus filhos foram unânimes em afirmar que faltou mencionar um dos maiores prazeres do pai: O Palmeiras!