Patricia Maria de Moraes Barros Fucs

Patricia Maria de Moraes Barros Fucs

Nasceu e cresceu em São Paulo, de família tradicional no estado, pai engenheiro civil e mãe do lar, opção pela Medicina desde sempre. Conheceu sua casa – a Santa Casa (ISCMSP) – na época do vestibular e sentiu uma sensação única de paixão pelos tijolos do prédio do Hospital Central. Com alegria viu no resultado do vestibular seu nome na lista dos aprovados. Graduou na 14ª turma da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (FCMSCSP) em 1981. Durante os anos da graduação entrou em contato com a Ortopedia, e pode dizer que, junto com o Fernandinho, sentiu o amor à primeira vista, tendo frequentado por anos o andar das crianças do departamento. Em seguida a aprovação no concurso da Residência Médica foi a 3ª residente feminina do departamento de Ortopedia e Traumatologia da ISCMSP – Pavilhão “Fernandinho Simonsen”.

Passou a fazer parte do corpo clínico do departamento em 1985 como Segundo Assistente e no corpo docente da FCMSCSP no ano seguinte como Professora Instrutora, em ambos, de maneira simbiótica, construiu sua carreira profissional e acadêmica.

A decisão pela Ortopedia Pediátrica foi natural. No ano seguinte foi para seu primeiro “fellowship” em Ortopedia Pediátrica sob a tutela dos Prof. Dean MacEwen e Prof. Shanmuga Sundaram Jayakumar – no Alfred I duPont Institute. Na volta, um ano no Grupo de Cirurgia da Coluna, na época chefiado pelo Prof. Élcio Landim. Chegada a hora da decisão de saber para qual dos grupos do departamento deveria ir, sob a decisão do Professor Carvalho Pinto, chefe do departamento, veio para o Grupo da Paralisia (hoje Grupo das Doenças Neuromusculares) e ali ficou, e nada poderia ter um desfecho melhor: uma Ortopedia Pediátrica com foco nas patologias neuromusculares. Vários outros estágios internacionais seguiram ao longo do tempo, Children’s Hospital em Stanford sob a tutela do Prof. Eugene Bleck, Childen’s Hospital em Melbourne com o Prof. Malcon Menelaus e dezenas de visitas ao Hospital duPont.

Na carreira docente, a cada passo, exames de suficiência, tese e concursos: 1985, Professora Instrutora; 1996, Professora Assistente; 1999, Professora Adjunto; e, finalmente, 2015, Professora Titular, ápice a carreira docente. Sentiu muito orgulho de ser a primeira mulher a ser Titular em Ortopedia e Traumatologia da sua Faculdade. Além da participação ativa nas várias comissões da Faculdade.

Professora da Graduação e da Pós-Graduação, ao longo destas décadas na Ortopedia muitos frutos foram colhidos, alunos da Graduação e seus trabalhos, residentes e estagiários da especialidade formados, alunos da Pós-Graduação titulados no mestrado e doutorado. Participações em congressos nacionais e internacionais, cursos e seminários, além de receber muitos títulos como Membro Honorário de várias sociedades latino-americanas e internacionais.

Com muito orgulho em ser da SBOT, ingressou como Membro Titular na Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia após a aprovação no TEOT em janeiro de 1985. Participou do TEOT como examinadora desde 1990 seguido de várias comissões, diretorias até ser presidente em 2018. A grande responsabilidade e um ápice na participação associativa, a maior honraria que um ortopedista no Brasil pode ter e que com orgulho carregará para sempre.

Na Ortopedia Pediátrica fez parte do grupo fundador da Sociedade Brasileira de Ortopedia Pediátrica – SBOP em 1995, sociedade que floresceu e hoje congrega os colegas da especialidade. Em 1999 também fez parte da fundação da Sociedade Latino-Americana de Ortopedia Infantil – SLAOTI, agregando os colegas da Latino-América de maneira forte. Motivo de orgulho foi estabelecer o programa de “traveling fellowships” entre a SLAOTI e a Sociedade NorteAmericana de Ortopedia Pediátrica – POSNA e a Sociedade Europeia de Ortopedia Pediátrica – EPOS, intercâmbio este de inestimável valor para os jovens ortopedistas pediátricos. Além de organizar junto com as sociedades POSNA EPOS e SLAOTI os cursos internacionais desde 2010.

Nas sociedades internacionais: Sociedade Internacional de Ortopedia e Traumatologia – SICOT membro desde 1990, membro da diretoria em dois mandatos como tesoureira, presidência do comitê de Ortopedia Pediátrica de 2005 a 2018. A Federação Internacional de Ortopedia Pediátrica – IFPOS, participou da fundação e de todas as suas atividades até ser indicada como Presidente em 2018. Membro do POSNA desde 1990 e do International Pediatric Orthopedic Tink Tank – IPOTT desde 2008. Cabe também a Sociedade Ortopédica de Língua Portuguesa – SOLP, hoje Federação das Sociedades Ortopédicas de Língua Portuguesa – FOLP que por sua afiliação com a SBOT também passou a fazer parte, e desde 2018 como Presidente.

Na Ortopedia não poderia ter escolhido melhor especialidade – Pediátrica. No Grupo das Doenças Neuromusculares, inicialmente sob a chefia do Prof. Celso Svartman e hoje como chefe, aprendeu e continua aprendendo, com os melhores professores que são os pacientes, desafios e quedas frequentes, com o objetivo de melhorar e reconstruir esse universo diverso e difícil. Deve muito ao Pavilhão, pertencer a ele é o incentivo e a força presentes no todo dia.

A todos os Professores que contribuíram na sua jornada: Prof. Carvalho Pinto, Prof. Svartman, Prof. MacEwen, Prof. Bleck, Prof. Jay Kumar – seu querido Dr. Jay, Prof. Bensahel e todos os incontáveis que vieram, seu carinho e gratidão.

Na família, pequeno núcleo, marido Professor Moacyr Fucs, urologista, exemplo da ética e profissionalismo, companheiro de todas as horas e das frequentes ausências. A filha Scylla e o genro Flávio, sempre presentes e fornecendo amor, apoio e segurança. Os pais hoje ausentes, a quem tudo deve, o exemplo, a formação, a ética, o cuidado com o próximo, sem suporte deles nada teria acontecido.